quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Marco Zero

Eleições, acusações e defesas de governos corruptos, denúncias de lixos sendo jogados em locais inapropriados, caos do trânsito e uma longa seção de esportes com destaque para o cricket. Essas eram as matérias predominantes do Times India de hoje. Nem pareceu que mesmo depois de 30 horas de viagem , eu estava num local que não fosse o Brasil, com exceção da substituição do futebol pelo cricket. Mas bastou ligar a televisão e, ao passar os canais, me deparar com o Pica Pau falando Telugu,” Barrados no Baile” falando híndi e uma televisão local reportando notícias num inglês. Não o inglês- inglês aprendido nas salas da Cultura Inglesa, um inglês-indiano em que não apenas a pronúncia é outra, mas o repertório de palavras também o é.
No colégio, acho que lá pela terceira série, quando aprendemos a utilização da crase, o livro de português nos apresenta um exemplo trivial: “à francesa”. Oras, aos nove anos é muito difícil uma criança entender o que isso significa. Eu, por exemplo, apenas decorava o modelo do livro que queria dizer “à moda francesa”. Achava que aquilo tinha algo relacionado com a roupa e assim ficou guardado na minha memória por algum tempo, quando a experiência substituiu a memorização irracional por emotiva, e eu pude perfeitamente entender o porquê da crase. Este blog nada mais é do que a expressão do que aqui chamam de alma, de essência, obviamente distorcidas pela ação do que aqui chamam de corpo, à indiana, já que toda minha percepção será submetida a outro ponto de vista, desde a Índia. Não apenas um “eu à Indiana’ ou uma empresa “à indiana”, mas sobretudo um eu à indiana que jamais voltará a ser quem era, mas jamais será indiano. Enfim, um mix de experiências que usam da diversidade para se tornarem interessantes.
Ao final da leitura bastante familiar do jornal, havia uma matéria de Gupta que copio abaixo que ajuda a explicar por que estou aqui de uma maneira indiana.
“ If there is one thing equally sought by all, it is happiness. All beings constantly endeavor to seek more happiness through new means of comfort. Science, religion and spirituality all aim at marking human beings happier and, therefore, these are not contradictory paths that are loggerheads with one another. The three paths are complimentary being the essential attributes of three dimensions of human existence relation body, mind and soul.”
O que dizem os hindus, também pode ter sido dito por Platão, Freud, e tantos outros pensadores de uma outra maneira. É, não é apenas coincidência que algumas coisas se assemelhem ao Brasil, é simplesmente por que somos todos demasiadamente humanos e de uma maneira ou de outra somos semelhantes tanto na estrutura de raciocínio e nossos feitos como na nossa natural corrupção...

3 comentários:

  1. querida, toda a sorte do mundo nessa fase indiana da sua vida. aproveite muuuuuuito e divirta-se, que a gente te acompanha aqui no blog!
    beijo grande
    ps: e não é q estamos pesquisando coisas da Índia pra peça desse semestre? rs

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  2. A expressão "à francesa" está indissoluvelmente ligada ao verbo sair. E "à indiana" ? Qual o verbo que melhor expressa uma experiência "à indiana" ?

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  3. O melhor verbo para a Índia não foi difícil descobrir: é servir.

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