
Hoje é dia de Dasara, uma das deusas hindus que se preocupam com os princípios femininos. As ruas estavam repletas de flores,doces e sapatos, já que é preciso descalçar-se para entrar nos templos. Caminhei sem um destino certo por avenidas que mesclam arquiteturas islâmicas, românticas e o que chamei de “beira de estrada”. Aqui não tem calçada, as pessoas urinam na rua e as lojinhas de vendas são todas improvisadas com ferros e letreros mal pintados. Ao entrar no templo, uma moça mergulhou seu dedo em um recipiente de pó vermelho e marcou a minha testa com um círculo que chamam “terceiro olho” para enxergarmos com a alma as situações do dia a dia, atiçando nossa sensibilidade. O responsável pelo culto colocou água, açúcar em minhas mãos e ordenou que eu tomasse. Depois me passou algo na cabeça e eu fui embora feliz, sentindo que já tinha feito a minha primeira inserção na cultura indiana do dia.
Faz quase uma semana que estou aqui e ainda não consegui me acostumar muito bem com o trânsito. Fiquei sem comprar um batom hidratante pros lábios por dias, por que não tinha coragem de atravessar a rua. Minha pele descasca. A água daqui contém muito sal e é inevitável que a pele branca sofra muito com o ressecamento. Mas tudo aqui fica fácil quando o indiano te estende a mão para ajudar. E aqui, eles andam de mãos estendidas...vendo minha agonia por não encontrar uma simples manteiga de cacau, meus treinandos fizeram, sem eu saber, uma busca pelo batom e o encontraram. Por falta de um, ganhei dois.
Acordo cedo, trabalho muito e quando volto, já sem muita energia, trabalho mais respondendo emails do Brasil, mas quando desço para jantar, só de ver o sorriso dos garçons e a vontade deles em que eu encontre uma comida que me satisfaça, com pouca pimenta, me ajuda a reenergizar.
Aqui eu sou uma estranha. Saio na rua e todos olham para mim de uma maneira curiosa. Não sei o que eles pensam. Sei que hoje eu fui visitar um Forte Islâmico muito bonito. Eu estava de regata, mas com um lenço de furinhos cobrindo os ombros. Mesmo assim, as pessoas que me acompanhavam tiveram que colocar outro lenço em mim. Aqui não se pode mostrar os ombros, principalmente em região com muitos homens, como a que fui hoje. Por onde eu passo as pessoas reparam em mim, tiram foto de mim e algumas tem a ousadia de pedir para tirar foto comigo. Os locais dizem que eles se encantam pela minha cor, branca. Chego a ficar constrangida na rua e é impossível eu andar desacompanhada.
Ontem saí pela noite. Fui a um concerto de piano onde tocaram e cantaram um trecho de uma ópera alemã que não me lembro o nome agora. E eu tenho que confessar que apesar de ser fria para muitas coisas, eu choro quando ouço uma boa música. Difícil é explicar isso para o indiano que me acompanhava....
Depois fui para uma festa latina, com salsa e cheguei no hotel sem sono. Ao passear pelos corredores vi um salão de festa e abria porta. Era um casamento, à indiana...óbvio que ao me verem logo me convidaram para entrar e participar da festa, mas isso eu conto depois, por que são quase uma da manhã e amanhã é um dia inteirinho de treinamento...a inauguração da DryWash está chegando e eles tem muito que aprender ainda. Como é difícil estar aqui, mas como é fácil estar aqui...
Deve ser uma experiência incrível estar ai... Vou acompanhar o blog para conhecer um pouco da India aos olhos de uma brasileira =]
ResponderExcluirAbração Cinthia, sorte ai na Índia!
Italo